Por que a H&M escolheu Extrema (MG)? Os segredos tributários por trás da chegada da gigante do fast fashion ao Brasil

A entrada da H&M no Brasil representa um caso emblemático de nacionalização de empresas estrangeiras no varejo de moda, com implicações tributárias, logísticas e de compliance ambiental. Neste artigo vemos os principais desafios fiscais, oportunidades de incentivos e como a sustentabilidade pode ser um vetor de otimização tributária para a gigante sueca.


1. Nacionalização da H&M: estruturação tributária e logística

A abertura de operações no Brasil exige que a H&M defina sua estrutura jurídico-tributária, considerando:

a) Modelo de entrada: Subsidiária vs. Holding

  • A H&M optou por operar via subsidiária brasileira, submetida ao regime fiscal local.
  • Se houver planejamento tributário internacional, poderia estruturar uma holding no exterior para gerir royalties e reduzir a bitributação (via acordos como o Brasil-Suécia).

b) Centro de distribuição em Extrema (MG): benefícios fiscais

A escolha de Extrema (MG) para o CD não foi aleatória. A cidade oferece:

  • Redução de ICMS em operações logísticas (benefício comum em municípios do Sul de Minas).
  • Isenções temporárias de ISS e IPTU para novos empreendimentos (varia conforme o município).
  • Acesso ao REPES (Regime Especial da Indústria de Transformação), que prevê redução de até 75% do ICMS devido.

c) E-commerce e a LC 192/2022

A nova regulamentação do ICMS para vendas online exige que a H&M:

  • Cadastre-se no Regime Monofásico para evitar conflitos na cobrança interestadual.
  • Implemente sistemas de nota fiscal eletrônica automatizados para compliance com a legislação brasileira.

2. Incentivos fiscais para fast fashion sustentável

A H&M pode aliar sua estratégia ESG a benefícios fiscais, como:

a) Certificações verdes e redução de ICMS

Alguns estados (como São Paulo e Minas Gerais) concedem descontos no ICMS para empresas com:

  • Selo Verde (ex.: produtos com matérias-primas recicladas).
  • Logística Reversa certificada (atendendo à PNRS – Política Nacional de Resíduos Sólidos).

b) Drawback e Repetro-Sped para importações

Se a H&M importar tecidos ou máquinas, pode utilizar:

  • Drawback Suspensão (isenção de II, IPI, PIS/Cofins na importação de insumos para produção local).
  • Repetro-Sped (benefícios aduaneiros para bens de capital).

c) Projetos de pesquisa & desenvolvimento (Lei do Bem)

Caso invista em inovação sustentável (ex.: tecidos biodegradáveis), pode deduzir até 260% dos gastos no IRPJ.


3. Fast Fashion vs. Sustentabilidade: o dilema tributário

A indústria da moda rápida é alvo de críticas por seu impacto ambiental, mas a H&M pode transformar isso em vantagem competitiva:

a) Tributação diferenciada para produtos eco-friendly

  • Alíquota Zero de PIS/Cofins para itens de moda sustentável (enquadrados na Lei 12.715/2012).
  • IPTU Verde em cidades como São Paulo (descontos para imóveis com certificação ambiental).

b) Logística reversa e créditos fiscais

Parcerias com cooperativas de reciclagem podem gerar:

  • Créditos de ICMS pela destinação correta de resíduos.
  • Redução de custos com aterros sanitários (evitando multas por descarte irregular).

4. Como a H&M pode otimizar sua estratégia tributária no Brasil

Para consolidar sua operação, a H&M deve:

  1. Estruturar sua subsidiária com assessoria tributária especializada, aproveitando regimes como Lucro Real ou Presumido conforme o faturamento.
  2. Negociar benefícios fiscais em Extrema (MG) para seu centro de distribuição.
  3. Alinhar sustentabilidade com economia fiscal, utilizando certificações verdes para reduzir impostos.
  4. Monitorar mudanças na legislação, como a reforma do ICMS e novas regras para e-commerce.

A nacionalização da H&M no Brasil é um estudo de caso valioso para empresas estrangeiras que desejam se estabelecer no país. Com planejamento tributário estratégico, é possível conciliar expansão, compliance e responsabilidade socioambiental.

Fontes:

Lei Complementar 192/2022

Lei do Bem (11.196/2005)

Legislação Estadual de ICMS (MG e SP)

https://www.cnnbrasil.com.br/economia/negocios/hm-abrira-3-lojas-no-brasil-e-ja-contrata-em-sp-e-mg-veja-como-concorrer