Trump, as tarifas e o Brasil: O mapa da dependência comercial e os impactos para empresas norte-americanas

Por Claudia Regina Gabriele, Especialista em Direito Tributário e Nacionalização de Empresas

Tenho analisado com atenção o cenário geopolítico e tributário que se desenha após as recentes declarações de Donald Trump sobre a imposição de tarifas a produtos brasileiros. O que muitos ainda não perceberam é que, embora EUA e China sejam os maiores compradores das exportações brasileiras, a dependência americana está concentrada em poucos estados – enquanto a chinesa é muito mais pulverizada. Isso muda completamente o jogo estratégico.

Os dados recordes de 2023 parecem revelar quem realmente depende de quem na relação Brasil-EUA-China. Os números mostram uma realidade que Trump parece ignorar:

1️⃣ A China é o parceiro que constrói o Brasil (literalmente, Estado por Estado)

  • $104 bilhões em compras (31% do total), 16 estados fornecedores – contra apenas 4 estados vendendo para os EUA ($36,9 bi).
  • RJ e MT lideram:
  • SP, o gigante ($71 bi): Açúcar, petróleo e combustíveis mostram diversidade.

🔎 Conclusão estratégica: Enquanto a China financia desenvolvimento em 24 estados, os EUA retrocedem – tornando-se dispensáveis para muitas regiões.


2️⃣ Ameaça de Trump: um blefe caro?

A alegação de Trump sobre um “déficit” com o Brasil é economicamente falsa:

  • Os EUA têm superávit de US$ 410 bilhões em 15 anos nas trocas com o Brasil.
  • A medida parece mais uma retaliação política (em resposta aos processos contra Bolsonaro) do que uma estratégia comercial racional.

💡 Estratégia brasileira possível:

  • Aplicar a Lei de Reciprocidade Econômica (Lei nº 14.286/2021), que permite retaliar com aumento de tarifas ou barreiras não-tarifárias.
  • Aumentar tarifas de exportação de produtos estratégicos (café, ovos, minérios), pressionando setores sensíveis nos EUA.
  • Acelerar a diversificação de mercados, fortalecendo parcerias com BRICS e outros blocos.

3️⃣ Para empresas norte-americanas no Brasil: adaptar-se ou sair

Quem opera em SP (onde estão 60% das multinacionais) deve:

Acelerar nacionalização para aproveitar:

  • REPES (isenção de IR para exportadores)
  • Rota 2030 (benefícios para indústria automotiva)

⚠️ Evitar riscos:

  • Fiscalização agressiva em transfer pricing (receita já mira remessas de lucros).
  • Exigência de conteúdo local em contratos públicos.

4️⃣ O futuro é multipolar (e o Brasil sabe disso)

Enquanto Trump fala em tarifas, o Brasil:

  • Amplia vendas para BRICS (Rússia comprou +58% em 2023)
  • Diversifica com Oriente Médio (Arábia Saudita como novo hub)
  • Fortalece o Mercosul contra protecionismo norte-americano

Trump pode bater o pé, mas o mercado decide

Os dados de 2023 provam: O Brasil tem opções. Para empresas estrangeiras, a escolha é clara:

🔹 Quem produz localmente ganha acesso a um mercado de $340 bi.

🔹 Quem insiste em importar pagará o preço da guerra comercial.


Se sua empresa é impactada por tarifas ou quer se antecipar, comente abaixo ou agende uma consultoria.

Claudia Regina Gabriele Advogados

Fontes:

https://g1.globo.com/economia/noticia/2025/07/09/trump-manda-carta-a-lula-e-anuncia-tarifa-de-50percent-sobre-produtos-brasileiros.ghtml

https://www.metropoles.com/brasil/lula-diz-que-respondera-tarifa-de-trump-pela-lei-da-reciprocidade